24 de jul de 2016

O que você faria?

O tempo segue e o universo se expande. Não estamos parados no tempo. Mesmo que nossas vidas pareçam assim. Mesmo que você e eu insistamos em não fazer nada, a vida se movimenta.
Para mim é como se a vida fosse como o mar. Se movimentando como as marés. As vezes alta, as vezes  baixa.
Quando alta, as pedras são todas cobertas e o que se vê são águas límpidas e o mar calmo que vai até o perder de vista. Até onde o sol nasce e se põe. Numa dança diária e insubstituível na minha lista de belezas sem fim. Quando baixa, suas rochas se revelam, as ondas inconstantes batem nelas e mesmo que suas águas também cheguem até onde o sol dança, a mim, parece desnivelado e menos belo.
Para mim cada dia é o inicio de um presente que tem um passado e um futuro. Nunca é exatamente um dia novo porque o termo ‘novo’ me dá a ideia de algo zerado. Não amanheço zerada, nunca amanheci. Eu me alongo e existo de forma continua. O momento de agora acontece a partir do momento anterior.
Então! Eu tomei posse do fato de que nenhum sofrimento é inútil mesmo, assim como nenhuma felicidade é apenas um instante único. Nada do que vivi anteontem, ontem e hoje foram fragmentos de vida apenas. Eles formam a minha vida de fato. Como se fosse uma colcha de retalhos sabe? Cada pedacinho me constitui.
Amores, ódios, alegrias e tristezas são a base de todas as minhas experiências. Pessoas que eu amei, odiei ou simplesmente desprezei também fazem parte de quem sou hoje, devo a elas sem dúvida alguma, partes de mim.
Nossos sentidos. Ver e ouvir,  fazem bambolear o nosso cérebro para perceber e entender o mundo a nossa volta. Como humanos, cremos no que percebemos. E se não percebemos? Até que ponto realmente sabemos de nós, de nossas vidas e nossos porquês? Talvez a realidade imutável do nosso viver se resuma ao final fatídico de todos nós que é morrer.
Se somos cada instante que vivemos não em fragmento e sim de forma continua, então morremos 
 um pouquinho todos os dias. Temos um pouquinho menos de vida a cada instante vivido e menos jovialidade a cada passo que damos. Anos se somam aos que já temos.
Invariavelmente me ocorre que enquanto essas latejantes possibilidades nos rondam a gente simplesmente não faz nada de relevante para aproveitar toda a potência de vida que transborda em nós. 
Estamos morrendo em vida.
A vida não está parada lembra? Penso sempre e sempre nisso. É um pensamento sombrio e libertador ao mesmo tempo. Desde o inicio das civilizações mais remotas a possibilidade de morte vem trazendo mais vida aos que se preparam para ela e não ao contrário como se pensa inicialmente. Ao passo que vamos encontrando o fim do nosso mundo ininterruptamente ele vai nos encontrando também e nos tornando melhores. 

Se hoje fosse o seu ultimo dia? O que você faria?
Essa é uma frase que me leva a profundas reflexões.
Somos os únicos seres vivos que tem consciência de que seus atos produzem resultados. Os animais não percebem suas ações nem o que elas provocam. São instintivos e fazem sempre tudo igual
.
Nós podemos mudar o nosso caminho. Observar o resultado de uma ação hoje e modificá-la no futuro. Trocar de porta, de pessoas e tudo o mais a nossa volta. 
Se onde você está agora te afeta a ponto de tornar-lo alguém pior. Saia daí! Ninguém vai te impedir a não ser que você deixe. 
Nosso bem estar, a cada segundo em que a vida vai avançando é ameaçado sob a enorme carga psíquica a que somos submetidos instante a instante. Trabalho, o trânsito, o mau humor dos outros, o nosso próprio. O mundo nos afeta de forma muito mais complexa do que nos damos conta. Somos muito mais que sangue e carne. Não importa por onde passamos nem o que conquistamos sempre nos faltará algo. Expectativa e decepção, desejos e aflições. Eu ousaria afirmar que somos todos, o mundo inteiro, hecatombes  afetivas ambulantes. Não há fórmula para neutralizar o quadro que se apresenta, porque toda essa insatisfação é inerente a condição humana. Mas podemos modificar ou amenizar a forma com que essas situações nos impactam.

Eu adoraria dizer que bastam duas xícaras disso, uma colher de sopa daquilo para que você e eu nos tornemos pessoas mais equilibradas, menos impactadas pelas ondas que vem e vão. Infelizmente não conheço essa receita e posso afirmar que ela nem existe.
A melhor solução seria a reflexão. Mas advirto que ela nos leva não a uma solução, mas a um passo a passo constante, 
íngreme e doloroso rumo ao encontro de quem somos.