24 de jan de 2016

Sobre a homeostase e outros equilíbrios


“Quando a cabeça muda, todo o resto muda junto”.

A frase acima me faz lembrar de um efeito fisiológico do corpo humano que ocorre no desequilíbrio de alguma das nossas funções vitais. O cérebro ao detectar isso, envia ondas elétricas ao campo do desequilíbrio promovendo os ajustes necessários.
Por isso nosso corpo é altamente adaptável a toda forma de estímulos.
Ao sentirmos frio o corpo treme, gerando aquecimento. Se há pouco combustível na reserva celular, sentimos fome pra que essa energia seja reposta.
Isso é homeostase ou equilíbrio fisiológico. Parece uma maquina perfeita, eu sei.
Mas não é!  Não somos feitos somente de ossos, músculos, veias e artérias. Temos toda uma psiquê que é tanto ou mais importante que essa máquina fabulosa. A parte invisível que nos torna afetivos e muitos chamam de alma. É ela que nos faz reagir aos estímulos de alegria ou sofrimento, mas que infelizmente, por ser nossa parte abstrata, não é dotada de homeostase. Dessa forma somos jogados à vida, sem a capacidade automática de equilíbrio psíquico.  Não importa qual seja a sua dor. Um amor ou um amigo que se perdeu, um familiar querido que se foi.  Qualquer que seja o seu ingresso para o universo das almas doloridas, teremos de senti-la, dia após dia, até que a ausência sofrida seja suprimida ou que resilientemente nos acostumemos a ela.
Invariavelmente sofremos, nos tornando perdidos e confusos.  A vida perde a cor, não há mais desejo de contato com o mundo. Por dias, meses e alguns de nós, anos. Nos movimentamos automaticamente, repetindo palavras e ações, enquanto os olhos choram ao fechar a porta do banheiro ou deitarmos a cabeça no travesseiro.
Eu já chorei mil vezes assim e odiei  Deus por isso. Espraguejei a vida, os deuses e até os astros por não apresentarem uma solução pra ausência que deixou um espaço enorme no meu dia. Mas nada disso adiantou pra mim, meu equilíbrio foi encontrado exatamente quando parei de brigar, xingar. No momento em que eu me permiti sentar e chorar, a dor iniciou sua partida. As vezes uma simples mudança no padrão mental,  já é suficiente.
A minha dor ainda existe, mas a cada dia eu me encontro menos com ela. Já não a encaro de frente. Eu a tenho ignorado nos últimos tempos e aos poucos a presença dela vai perdendo importância pra mim.
É um processo longo!
Acredito que você, em menor ou maior grau já passou por isso. Há ausências que jamais deixarão de ser sentidas. Há dores que diminuem sim, mas que não passarão jamais.
Cabe a nós encontrar uma forma particular de equilíbrio pra esse sofrimento todo.
Há quem diga que um barulho que ocupe aquele velho silêncio, ameniza.  Outras vozes que dirão outras frases também. A minha fórmula é: “Quando os pensamentos mudarem o mundo ganhará  novas possibilidades”.
Na história evolutiva da raça humana há inúmeras provas de que nos tornamos bípedes, descobrimos o fogo e a agricultura por pura necessidade de evoluir.
Xingue, se isso te ajudar, busque outro alguém que preencha esse vazio, ou corra, nade, crie um clube, aprenda a fazer preces.
Se provoque, busque explicações e maior coerência pras suas atitudes, pergunte-se e busque respostas, mas que sejam respostas que te levem a novas perguntas. Por que são elas que te farão crescer rumo a sua evolução pessoal.
Todos somos capazes, mas  somos frágeis também e choramos sempre.
Tudo bem se você cair, mas levante-se e continue caminhando porque o amor não volta, o momento e a frase perfeita, também não.  A vida não volta. Não desperdice a sua em lembranças estáticas e autopiedade, não foi assim que chegamos ao topo da cadeia alimentar.
Pra que serve chorar e se isolar? Pra que se trancar dentro de si mesmo quando há no mundo milhares e milhares de oportunidades de vida, com pessoas novas para conhecer e coisas para fazer?
Se adapte a sua nova vida, crie sua forma de equilíbrio emocional, por herança ancestral é pra isso que estamos aqui. Chegará o dia em que de tanto buscarmos equilíbrio emocional, nossa psiquê aprenderá a fazer isso sozinha, anotará a fórmula em nosso DNA, e então finalmente, seremos uma máquina perfeita, onde corpo e alma estarão em total sintonia. Até lá, viva um dia de cada vez, sempre buscando a sua evolução, um novo você, para a sua nova vida.


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